Cuando tienes que tomar un avión compras un pasaje para vivir algunas horas de temor y miedo. No solamente sabes que vas a tener pánico, como además tienes que pagar caro para sentirlo. En primer lugar, no sólo vas a enfrentar varias horas encerrada en el cielo, pero es inevitable que una obsesión devoradora te domine en las tres horas anteriores al viaje. En segundo lugar, tienes que estar preparada para ser maltratada y revisada en el control de seguridad. Lire la suite »
«O Tejo é o mais belo rio que corre pela minha aldeia». No inicio do século XX, Fernando Pessoa sob o pseudónimo de Alberto Caeiro escreveu sobre o impacto do rio Tejo no quotidiano dos lisboetas. Respeitando a simplicidade e ingenuidade, característica de Caeiro, o poeta descreveu o rio luso-espanhol e sublinhou a sua importância para os Descobrimentos.
Com o verso «Pelo Tejo vai-se para o mundo», Pessoa sintetiza o impacto do rio na cultura portuguesa, nomeadamente pelo facto do Tejo ser um ponto de partida e de chegada na época de grande glória lusa. Á sua volta e em sua função foram construídos o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. Do primeiro, ficaram as lembranças das missas pelos navegadores e marinheiros que partiram à descoberta de um mundo novo e perigoso. Do segundo, as memórias dos que vigilavam a chegada dos valentes e queridos portugueses ou dos ameaçadores inimigos que pelo Tejo tentavam entrar na capital. Ambos construídos sob o próspero reino de D. Manuel, constituem uma prova física da sua importância de há quinhentos anos, que se continua a manifestar hoje pela lembrança e saudade, característica crassa para a cultura lusa.
Do Tejo foi-se para o mundo, e a Europa graças a Portugal descobriu novos caminhos e novas terras. Como consta na epopeia Lusíadas de Luiz Vaz de Camões, Vasco da Gama descobriu o caminho para as Índias saindo da ocidental praia lusitana i.e. do Tejo. Do mesmo modo, quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei D. Manuel dando-lhe a boa nova da descoberta do Brasil, começou por evocar a partida de Belém. Esta memória das naus, faz com que o Tejo esteja carregado de simbologia de um passado glorioso, e talvez seja ele a causa do sentimento de saudade e de melancolia constante nos portugueses. Alberto Caeiro demonstra no poema que evocámos a carga sentimental do Tejo e noutro poema da Mensagem, Fernando Pessoa, vem de certa maneira confirmar a hipótese que fizemos quando nos questionámos sobre a origem da melancolia lusa. «O mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal? Por te cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar. Para que fosses nosso, o mar».
A conquista do mar e das terras a que ele levou, partiu do Tejo. O rio ficou portanto conotado como o responsável pelas vidas que o mar tirou, e portanto no coração das mães, filhos e noivas a ultima imagem foi a da partida – pelo Tejo. Quando nos questionamos sobre as razões da palavra «saudade» existir apenas em português, a resposta está provavelmente associada aos sentimentos do século XVI, século dos Descobrimentos, século onde o Tejo era o ponto de partida.
Maria Roquette, para ParTage